14 setembro 2018

Educação Montessoriana- Um dia na classe montessori da Lola

Ambiente Montessoriano | Educação e comportamento | Método Montessori

O que acontece em uma sala de aula de uma escola montessoriana?  Será que as crianças realmente se interessam por esse método tão diferente?

Sejamos sinceros: que pais não desejariam ser uma formiguinha para saber o que acontece na sala de aula dos filhos?

Para ajudar as famílias a realizar esse desejo e, de quebra, ainda vivenciar a prática do método, a escola montessoriana da minha filha Lorena criou um projeto incrível chamado “Alegre Observador”; uma oportunidade impar oferecida aos pais de conhecer de perto o cotidiano de uma Classe Montessori.

No post de hoje, eu te convido a ser formiguinha comigo e embarcar nessa encantadora experiência! Espero que curtam tanto quanto eu!

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O Método Montessori

Como vocês sabem, como uma entusiasta do tema, já falei muito sobre o assunto aqui na Toca. Mas acho que, se tivesse que resumir, minha definição sobre o método seria: Montessori não é sobre estímulo, é sobre aprender a amar o conhecimento! É sobre alimentar o desejo genuíno das crianças em aprender.

É sobre auto- educação baseada na livre escolha e isso vai muito além de um projeto pedagógico, é um projeto de vida.

As escolas montessorianas incentivam que seus alunos desenvolvam um senso de responsabilidade pelo próprio aprendizado, sedimentando assim a autoconfiança dos pequenos.

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Por meio do manuseio de materiais em um ambiente preparado para os desafios daquela faixa etária, os alunos naturalmente desenvolvem a concentração e o interesse pelo aprendizado.

Os professores dessa linha de ensino são guias que removem obstáculos da aprendizagem, trabalhando de forma individualizada as dificuldades e os interesses de cada aluno.

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Nesse processo, o professor não é o dono do conhecimento. Ele sugere e orienta as atividades, mas deixa que o próprio aluno se corrija e “trabalhe” de modo a encontrar o caminho, o que contribui para uma maior autoconfiança.

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Pais Montessorianos

Quando minha filha ingressou na escola montessoriana,recebi o Guia da Família, um pequeno manual de mais de 50 páginas! Assim, logo descobri que não apenas minha pequena deveria se tornar uma aluna montessoriana; eu também deveria me tornar uma mãe montessori. 

Isso exigiria uma dose extra de dedicação(e de paciência também!:). 

Percebi então que, para o bem da nossa pequena, nossa casa deveria se tornar uma extensão das práticas e princípios aprendidos na escola. Afinal, seria bem confuso se, por exemplo, se ela vivenciasse na escola o estímulo à autonomia e, ao chegar em casa, encontrasse um ambiente onde todos fazem tudo por ela. 

Ok, entendi a teoria. Mas, na prática, como deveria ser esse caminho que eu me preparava para percorrer?-Essa é a dúvida compartilhada por todos os pais.

Para a nossa sorte, para que os pais possam entender e acompanhar o trabalho desenvolvido com seus filhos, a escola oferece diversas oportunidades de vivência do método, tais como o projeto como o “Alegre Observador”.

Como acontece o “Alegre Observador”?

Com duração de cerca duas horas (uma hora em sala e uma hora em uma reunião com a coordenadora pedagógica ) a prática do “Alegre Observador” acontece uma vez por semana, em dia e horário fixo. Assim, os pais interessados observar seu filho em atividade no espaço escolar podem se inscrever ao longo de todo o ano.

O(a) observador (a) deve ser discreto e permanecer em silêncio, sentado no lugar indicado durante toda a sua permanência em classe. As dúvidas e observações devem ser anotadas durante a prática e apresentadas durante a reunião realizada logo após a atividade, quando a coordenadora elucidara as questões apresentadas.

Não é permitido aos pais fotografar ou filmar a atividade. Essas fotos foram gentilmente tiradas de forma muito discreta pela querida coordenadora Ana Paula (Obrigada!:).

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Mas e as crianças? 

Afinal, como os pequenos reagem ao familiar em sala? – é realmente a dúvida mais comum. Difícil acreditar que crianças tão pequenas continuem trabalhando normalmente com um familiar em sala, não?

Mas, acredite: dá certo. Isso porque as crianças são orientadas previamente sobre o trabalho que será realizado e como é uma atividade rotineira, já estão acostumadas com a prática.

“combinado” , portanto, é não conversar com os familiares durante a realização do “Alegre” ou o observador terá que ir embora. Como elas não desejam que os pais tenham que se retirar, elas cumprem o combinado!

Por ainda serem bem pequenos, é claro que ainda tentam algum tipo de contato assim que o visitante entra em sala. Mas quando isso acontece a professora prontamente relembra o “combinado” e, dessa forma, eles logo entendem que precisam colaborar.

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Nas duas oportunidades nas quais realizei o “Alegre”, Lorena sempre tentou aquela aproximação inicial. Mas depois de algumas intervenções da professora, ela desistiu e seguiu sua rotina normal.

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Após 15 minutos de permanência em sala a impressão é que a turma realmente esqueceu que você está ali. É um barato vê-los trabalhando com tanta autonomia!

Minha experiência

Por mais que eu tenha pesquisado, a vivência prática realmente nos dá uma outra dimensão do método. Nada como estar em uma sala montessoriana para entender que o método desenvolvido pela Doutora Maria Montessori realmente funciona.

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Eu me peguei pensando algumas vezes sobre como eles conseguiam manter 13 crianças de idade entre 3 a 6 anos no mesmo ambiente trabalhando de forma tão concentrada e com tamanha calma.

E assim, você começa a entender que um ambiente estruturado é realmente capaz de estimular a ação da criança e de proporcionar um processo de auto educação.

As atividades manipulativas dos materiais a partir da livre escolha respeitam a manifestação dos diferentes tipos de inteligência. Se a criança está manipulando um material escolhido por ela, torna-se natural o interesse dos pequenos .

Estando ali, pude perceber em profundidade o que a escola dizia com  “No caminho pela construção do conhecimento, em vez dos livros; uma sala inteira com materiais dispostos nas estantes, de modo que a criança “caminhe pelo currículo”, com o apoio da professora e dos amigos mais velhos.”- Guia da Família

OK, parece perfeito. Mas meu filho só vai estudar o que gosta? – é outra dúvida muito comum (e também era a minha!)

Não. Seja pela professora ou pelos amigos maiores, a criança certamente será estimulado a conhecer as mais diversas áreas, não apenas o que já gosta. Desse modo, durante a atividade, percebi a enorme complexidade da missão de ser um professor montessoriano. 

Afinal, ele precisa respeitar a liberdade de escolha dos pequenos e, ao mesmo tempo, conduzir a apresentação de novos materiais de trabalho, estimulando  a curiosidade natural e alimentando nas crianças a real vontade de aprender.

Aprender a aprender é, sobretudo, um hábito para se levar para a vida.!

Classes de idades mistas possibilitam um processo de socialização mais rico e solidário.  Respeitando as diferenças, as crianças vivenciam um ambiente que leva à  construção da cooperação mútua e do verdadeiro espirito de uma comunidade; o que sedimenta o surgimento de um cidadão ético e consciente.

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Devo confessar que, como mãe, ainda tinha algumas questões com a permanência de idades mistas em uma mesma turma. Mas durante o meu trabalho de observação, tornou-se claro os muitos ganhos dessa prática.

Dependendo do material escolhido, as crianças podem trabalhar de forma individual ou em duplas (às vezes, até trios). Nessa troca, os menores se sentem estimulados e desafiados de forma natural a aprender a trabalhar como os amigos maiores. Esses, por sua vez, sentem- se valorizados ao apresentarem os materiais aos menores, o que certamente valoriza a auto-estima e a segurança dos alunos. montessori-escola-montessoriana-toca-lola-1

É a coisa mais linda a postura “professoral” com que os mais velhos ajudam os menores durante o trabalho! Todos aprendem e crescem juntos respeitando as diferenças! 🙂

Este post já está enorme ( para variar um pouquinho! kkk) e preciso ficar por aqui. Mas, para encerrar, preciso dizer que, de tudo o que vivenciamos, o que mais chama a atenção de nós, pais montessorianos ( e o nosso grupo do whats up não me deixa esquecer!) é a paz e a calma que reina em uma classes montessorianas. Crianças felizes brincando e aprendendo.

Como já nos indicava a Doutora Maria Montessori há mais de cem anos, é a alegria das crianças em um ambiente montessoriano que nos indica a correção do método.

E você, já conhece o método? O que achou do post? Conte para a gente! 

Um grande beijo!

Pri Guerreiro

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3 Comentários

  1. Romano Souza • em 2 de janeiro 2019

    Olá Priscila,

    Obrigado pelo conteúdo, vou deixar duas perguntinhas aqui pra você, se puder responder, agradeço muito:

    1) Como você se certificou que a escola realmente segue o método montessoriano? Existe algum certificado ou algo do tipo? Como saber se os profissionais estão realmente treinados e aptos para trabalhar com esse modelo pedagógico?

    2) Já pensou na transição de uma escolinha montessoriana para uma tradicional se vai haver algum impacto na disciplina da criança ou se existe algo que a prepare para uma metodologia mais restrita? O contexto dessa pergunta é que pretendo colocar meu filho em uma escola montessoriana e a partir do ensino fundamental pretendo colocá-lo em uma escola particular tradicional, o que você acha?

    Obrigado.

    • Priscila Guerreiro • em 9 de janeiro 2019

      Olá Romano! Fico realmente feliz que tenha gostado do conteúdo! Quanto às perguntas:

      1- A escola montessoriana onde minha filha estuda completou 40 anos em 2018, é membro da Organização Montessori do Brasil (OMB) e abriga ainda o Centro de Estudos Montessori do Rio de Janeiro, que é uma extensão da escola, dedicado à capacitação de professores montessorianos . Tais referências realmente me deixaram muito seguras da escolha à época. Assim, sugiro que converse com a direção pedagógica da escola sobre a capacitação dos professores e consulte a OMB sobre as escolas montessorianas que tenha interesse.

      2- Sim, a transição para uma escola tradicional é sempre uma dúvida recorrente dos pais e também era a minha no começo. Mas conversei bastante com as professoras, diretoras e mães de alunos que saíram da escola e a opinião foi unânime: a adaptação das crianças foi ótima! É claro que há um período de adaptação, mas tudo ocorre de forma muito natural para as crianças. E, quanto à disciplina, pode ficar tranquilo: não há falta de disciplina em uma escola montessoriana, pelo contrário. Liberdade, para Maria Montessori, está diretamente relacionada à disciplina, ao respeito e à competência para fazer escolhas. Ela diz que “o homem é tanto mais livre quanto for sua capacidade de fazer escolhas”. As conquistas só vêm com a consciência do seu espaço e do espaço do outro, dos seus direitos e dos direitos dos outros, das suas responsabilidades e das responsabilidades dos outros, um processo de construção de limites. Tenho certeza que você entenderá isso melhor quando visitar uma escola montessoriana. A paz e a tranquilidade que reina em um ambiente escolar montessoriano afasta qualquer medo de indisciplina que possamos ter, pode acreditar!

      Grande abraço! Pri

  2. Elaine • em 14 de maio 2020

    Que linda essa partilha, Pri. Sou apaixonada por Maria Montessori e desde o nascimento do meu pequeno, tenho sempre aprofundado mais. Em Manaus não temos (ainda) uma escola Montessori. Grata por nos levar neste lindo passeio.

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