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25 julho 2018

Relato do Parto: meus dois partos normais

Diário de Gestação | Gestação | Pessoalidades | Saúde e alimentação

Tive dois partos normais, humanizados, amorosos, respeitosos, intensos e transformadores. Faltam-me adjetivos para descrever esses momentos mas, sem sombra de dúvida, foram os dois dias mais intensos e felizes da minha vida.

Depois dessas experiências, vivendo no segundo país do mundo em percentual de cesarianas realizadas (57%, quando o indicado pela OMS é 15%, fonte: Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), sei que sou uma privilegiada.

Mesmo pagando um plano de saúde caro, não consegui ter garantido o direito de realização de um parto normal pelo plano.

Você simplesmente não encontra médicos que realizem parto normal pelo plano e a razão é simples: horas de parto normal ou uma cesariana de 30 minutos?

Assim, tive que arcar com os custos do pagamento de uma equipe médica não conveniada, de forma particular. Meus partos foram realizados por uma equipe que respeitou as minhas escolhas; exatamente como desejei.

Todas as mulheres deveriam ter garantido esse direito, sem ter que pagar a mais por isso. Assim, tornei-me uma defensora voraz dessa causa. É PRECISO FALAR MAIS SOBRE O ASSUNTO. E é por isso que, no post de hoje, compartilho com vocês o relato dos partos das minhas filhas.

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Compartilhando meu relato, espero estimular outras mulheres a buscarem mais informação de qualidade sobre o assunto, de modo a lutarem pelo direito de escolha sobre como desejam trazer seus filhos ao mundo.

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Quando criei o blog, algumas pessoas me perguntavam: é um blog de maternidade? E eu sempre respondia: Não. É um blog de design para crianças, criado para inspirar famílias que desejam criar e curtir espaços criativos, lúdicos e funcionais para os seus pequenos.

Nunca me vi falando sobre parto, amamentação, saúde e todos os temas tradicionais que envolvem um blog de maternidade. Não porque não os julgue importantes, é claro. Mas porque, sinceramente, me incomodava um pouco a sensação de que esse tipo de conteúdo fosse interpretado como “fórmula de maternidade”.

Acredito na maternidade como uma busca individual diária de cada mulher desde a gestação. O que funcionou para uma, pode não funcionar para outra. Por isso, até agora, nunca falei sobre o parto da Lorena, minha primeira filha.

Sim, foi um parto normal, lindo; a experiência mais intensa e transformadora que eu já vivi! Quanta coisa eu podia ter escrito, mas, mesmo assim, eu nunca havia falado sobre esse assunto aqui na Toca…

Contudo, vivenciando com tamanha intensidade a experiência do parto com minha segunda filha e, novamente, percebendo o quanto é difícil ter um parto normal no Brasil, entendi que havia uma causa maior para compartilhar essa experiência tão íntima com vocês.

Então, vamos lá! Espero que curtam! Mas antes, preciso dizer que este texto NÃO É UMA APOLOGIA CONTRA AS CESÁREAS. Elas salvam milhares de vidas!

Sou contra a realização indiscriminada de cirurgias desnecessárias, em especial, quando a mulher desejava e poderia ter tido um parto normal. Seja por conveniência médica ou falta de informação, infelizmente, o número elevado e crescente de cesáreas é uma triste realidade no país. Precisamos mudar esse quadro!

Qual a principal diferença entre os dois partos?

Na primeira gestação, mesmo desejando muito o parto normal, havia o medo do desconhecido. Na segunda, quatro anos depois, não havia mais espaço para o medo. Claro que eu estava ansiosa, mas não com medo.

Sim, a experiência anterior conta, mas o mais importante é, sem dúvida, informação de qualidade. Acredite: ela será a sua maior aliada em busca do parto que deseja ter.

Com toda a informação que obtive, não havia mais qualquer dúvida de que, se a gestação transcorrer normalmente e não houver real indicação médica de cesária, o parto normal é a melhor opção para a mãe e para o bebê.

Quando você se informa e entende mais sobre o processo fisiológico do parto, sente-se realmente preparada para aquele momento e isso traz calma ao seu coração, o que faz toda a diferença.

Conforme informado pela minha obstetra,  muitas mulheres desistem do parto normal no finalzinho da gestação tomadas pelo medo do desconhecido ou cedendo a pressões externas.

Por isso, meu conselho é: realize o seu pré-natal e converse bastante com sua médico. Mas, além disso, leia muito, assista vídeos, e converse com as amigas mães. Isso lhe trará a confiança que você precisa para afastar o medo e trocá-lo pela alegria da espera pelo seu maior presente.

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A preparação para o Parto

Como vocês acompanharam aqui , com 39 semanas de gestação (um dia antes de entrar em trabalho de parto), como toda mãe, eu estava bem ansiosa pelo parto.

Ainda não nasceu? – É o que mais a gente houve na reta-final da gestação, o que causa muita ansiedade em quem está aguardando ansiosamente a chegada do bebê. Além disso, eu sentia fortes dores na lombar, o que causava uma certa apreensão.

O Plano de Parto já estava pronto e tudo já havia sido conversado com a obstetra e a pediatra, como contei aqui. Para afastar essa ansiedade, concentrei-me na preparação do meu corpo para o parto, além dos toques finais na mala de maternidade, como contei aqui e aqui.

Para ajudar o tempo a passar ainda mais depressa, aproveitei para finalizar o álbum da gestação e para preparar as lembrancinhas do nascimento. Uma delícia!

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O Começo do Trabalho de Parto (TP)

Em ambas gestações, o TP começou à noite. Dizem que a maioria dos TP começa no período noturno pois é a hora em que o corpo relaxa. Não sei se é verdade, mas comigo foi exatamente assim. Senti uma cólica (mais incômoda do que dolorida), que foi se intensificando aos poucos …

Com 40 semanas e 3 dias, o TP da minha primeira filha começou às 3:00h, de uma forma bem convencional: com a saída do tampão e o início de uma cólica. Mesmo tendo lido bastante, eu ainda muito confusa sobre o que aconteceria a partir daí…

Parece brincadeira, mas fui para o google buscar imagens do que era um tampão para ter certeza do que estava acontecendo. Eu imaginava algo com um formato tipo um absorvente interno, mas o que vi, era um muco gelatinoso com sangue.

Já no TP da minha segunda filha, com 39 semanas e 1 dia, tudo começou diferente. Não vi tampão nenhum, mas acordei com um pequeno sangramento pela manhã. Sentia muita dor nas costas, mas as dores do TP só começaram por volta das 22:30h.

Era uma cólica acompanhada de um novo discreto sangramento. Como não era muito forte, fiquei na dúvida, mas comecei a registrar as contrações no aplicativo que já estava instalado no meu celular (sugiro que instale logo o seu).

Sinceramente, não lembro qual era a frequência das contrações nesse início. Mas sei que pouco tempo depois ficou claro que eu tinha entrado em trabalho de parto pois elas estavam progredindo:  aumentando intensidade e diminuindo o intervalo de tempo entre elas.

Liguei para a minha médica, relatei o progresso das contrações, aguardamos o tio chegar para ficar com a Lô e, assim que ele chegou, por volta de 01:00h, seguimos para a maternidade.

A ida para a maternidade

A maioria das pessoas que defendem o parto normal, orientam que a maior parte do TP seja vivenciado em casa. Assim, a ida para o hospital só deveria acontecer com a fase ativa mais adiantada, quando as contrações estiverem com intervalo de cerca de 5 min.

Chegar no hospital em um estágio avançado do TP reduz as chances de que a gestante seja induzida a realizar uma cesariana desnecessária. Além disso, em casa, teoricamente, a pessoa ficará mais relaxada e o TP fluirá melhor e mais rápido.

Pois é, esse não é o meu caso. Eu até estava bem tranquila em ambos partos. Mas sabia que não me sentiria mais tranquila em casa do que no hospital, sendo assistida pela minha médica. Por isso, mesmo morando muito próximo, preferi ir logo para a maternidade.

Seguimos para a maternidade ouvindo a nossa playlist criada para o parto, como contei aqui. Lembro da emoção, do nó na garganta enquanto cantávamos juntos: Enfim, era chegada a hora. Haja coração! 🙂

No hospital

Na primeira gestação, após 3 horas de contração, cheguei no hospital com 2,5 cm de dilatação. Na segunda, após praticamente o mesmo período, já cheguei com 6 cm de dilatação.

Já tinha sido alertada pela minha obstetra de que, normalmente, o segundo parto se desenvolve mais rápido que o primeiro.

Mesmo com estágios diferentes de dilatação, a intensidade da dor me parecia a mesma em ambos partos ao chegar na maternidade.

No parto da Lô, para a minha surpresa, não havia vaga na maternidade (ainda bem que fui cedo!). Assim, fiquei um longo período (cerca de 3 horas) em uma sala chamada pré-parto. No parto da Antonella, após a triagem, já fui direto para a sala de parto normal, o que, sem dúvida, foi muito melhor.

A dor

Muitas pessoas me perguntam: Quanto dói? Como é essa dor?

Sim, dói MUITO. Mas hoje, com o distanciamento do tempo, juro que esqueci a dor. Sinceramente, só lembro que dói porque, em ambos os casos, eu vomitei muito durante o parto. Tenho enxaqueca desde criança e sei que essa é a minha forma de reagir à dor extrema, com náuseas e vômitos.

OK, dói. Mas eu sempre complemento a resposta dizendo assim: o parto não pode ser resumido apenas à dor. Dói, mas, acredite, se fosse insuportável, ninguém teria o segundo filho de parto normal. É uma dor totalmente diferente de qualquer coisa que você já viveu. 

Não é papinho de Poliana, juro: Sim, é possível encarar a dor como algo positivo. Afinal, quanto mais intensa ela for, mais perto você estará de ter o seu bebê nos seus braços. É possível mudar a perspectiva da dor, ou seja, encarar o parto como algo natural, fisiológico e saudável e a dor como parte desse processo.

A importância do ambiente

Nos dois partos, fui para a sala de parto de cadeira de rodas porque a dor já estava enorme e eu realmente não conseguia mais andar… Nessa hora, qualquer coisa que traga conforto e acolhimento é bem-vinda.

Quem acompanha o blog sabe o quanto valorizo o ambiente. Não sei se para todas as pessoas é assim, mas,para mim, em qualquer situação: o ambiente influi totalmente no meu bem-estar. Assim, não seria diferente no dia do meu parto, não é?

Acredito que tudo faz parte da experiência: luz, som, cheiro,temperatura, cores… Sim, é  claro que toda mulher deseja ter uma boa experiência durante o seu parto. Mas é importante destacar que, no caso do parto, ter um ambiente acolhedor pode ajudar , inclusive, amenizar a sensação de dor.

Tive ambos partos na mesma maternidade, com a mesma médica. Mas o ambiente foi totalmente diferente. No primeiro, a sala de parto normal era fria, cheia de equipamentos de monitoramento, com uma luz forte, e a banheira ficava em um banheiro bem apertado.

No segundo, quatro anos depois, a maternidade tinha passado por reformas e o quarto era totalmente diferente. Havia uma banheira grande integrada ao quarto, com um painel com uma bela paisagem, que emitia uma luz suave, amarelada e aconchegante e envolvia todo o ambiente. Existia ainda um painel de led no teto, que simulava um céu estrelado. Ok, painel iluminado de paisagem, iluminação de céu estrelado,… meio cenário, né? Sei que pode parecer meio brega… 🙂  Mas, acredite: fez toda a diferença! Lembro perfeitamente de mergulhar naquela sensação…

Ao entrar no quarto, ao ver a banheira banhada por aquela luz suave e um ambiente acolhedor, senti-me abraçada e acolhida desde o primeiro momento. Meu marido não perdeu tempo e, assim que chegamos, já ligou nossa playlist do parto. Pronto! Estávamos em casa. Acho que até a sensação de dor reduziu um pouco depois que entrei no quarto.

Eu tinha passado por toda a Fase Latente de parto e já estava em plena Fase de Ativa de parto, já na metade do TP. Mas quanta emoção ainda viria pela frente!

 

Como este post ficou enorme, será dividido em duas partes. No próximo post, continuo compartilhando tuto o que aconteceu nessas experiências incríveis, transformadoras, mas, antes de tudo, cheias de amor. Espero que curtam!

Grande beijo!

Pri Guerreiro

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2 Comentários

  1. Zélia • em 30 de julho 2018

    Olá. Amando seu relato. Ainda não estou grávida (liberei já), e justamente nessa dúvida (cesárea ou natural). Sou educadora física e o melhor pra mim seria o natural (recuperação mais rápida e sem falar nos benefícios para o bebê), porém, os médicos não atendem por plano e não posso pagar por um. Então, corro o risco de fazer o pré natal com um obstetra e na hora, ir pra emergência do meu plano e fazer com o médico plantonista. Meu medo é… Me trabalho a gestação inteira para o parto natural, e na última hora, vir a não aguentar e ter que partir pra cesárea. Cheia de incertezas.

    • Priscila Guerreiro • em 30 de julho 2018

      Oi Zélia! Esse seu sentimento tem sido bem recorrente entre as gestantes (e eu me incluo!)… Infelizmente, é uma triste realidade… O conselho que eu tenho a te dar é: pesquise muito! Encontrar e uma equipe na qual você confie é o primeiro passo. Sim, eu sei que não é fácil. Mas não desista! Não sei onde você mora, mas sei que em São Paulo existe uma Casa de Parto pública muito boa! De todo modo, como você tem plano de saúde, sugiro ligar para o plano e repassar o problema para eles, pedindo a indicação de um obstetra que faça parto normal. Caro, isso não é garantia de nada, eu sei. Mas pode ser um bom começo, não? Desejo sucesso e muita felicidade na realização dos seus sonhos! Grande beijo! Pri

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