16 agosto 2017

Quarto montessoriano da Lola: a escolha do trocador

Ambiente Montessoriano | Criando a sua Toca | Diversos | Mobiliário | Quarto Montessoriano

No post anterior, respondi algumas das maiores dúvidas das mães quando começam a pensar em adotar o método montessori: em um ambiente planejado para funcionar no chão, com tudo na altura do bebê, como resolver a questão do trocador?

No post de hoje, compartilho qual foi a minha escolha para o local das trocas de fraldas da Lô e conto qual seria a minha opção hoje, três anos depois, se tivesse um outro bebê.

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coracao-pretopngsemfundoo primeiro quarto da lô

Quando comecei a projetar o quarto da minha filha Lorena, eu tinha dois desejos: seguir a metodologia montessoriana e criar um quarto sem prazo de validade, que pudesse acompanhar o crescimento da minha pequena, mesmo quando deixasse de ser um bebê.

Tudo ia bem até que me deparei com a questão do trocador…

Todas as minhas pesquisas sobre quarto montessoriano, apontavam para que a troca fosse realizada no chão. Na época, eu ainda não havia vivenciado o Método Montessori e meu conhecimento ainda era meramente teórico.

Mas, mesmo querendo seguir a metodologia, alguns fatores contribuíram para que buscásse uma outra solução:

1. Já tínhamos decidido que faríamos quarto compartilhado e não usaríamos a cama no chão nos primeiros meses. Como ganhamos um mini-berço de uma amiga, decidimos usá-lo nessa fase inicial, como contei aqui.

2. Eu precisava ser prática. Quando minha filha nasceu, estávamos em um lugar provisório, aguardando a entrega das chaves do novo apartamento e em clima de mudança. Para completar, ainda decidimos fazer uma obra que durou três meses (não repitam essa loucura, meninas, por favor! :)). Ou seja, o espaço estava confuso e a Lola ainda não tinha um quarto próprio, o que dificultava  muito pensar na realização de trocas do bebê no chão.

3. Como mãe de primeira viagem, eu sentia que estaria mais segura se tivesse um lugar específico arrumadinho para fazer as trocas e cuidar da higiene da minha bebê.

4. Meu marido tem quase dois metros de altura e devo confessar que eu não conseguia imaginá-lo no chão, de joelhos, no meio da noite, trocando um bebê tão pequeno.

Enfim, como sempre digo: cada família deve buscar o que melhor se adequa aos seus valores e estilo de vida. Não há espaço para fórmulas prontas nem radicalismos quando se fala na criação dos pequenos.

Por tudo isso, segui o meu feeling e decidi que queria um lugar específico para trocar a minha pequena, porém não desejava um trocador tradicional, nem que as trocas acontecessem no chão.

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A ESCOLHA DO trocador 

Pensando em um mobiliário que acompanhasse o crescimento da Lorena, logo entendi que, no meu caso, a melhor solução seria uma bancada com regulagem de altura.

A ideia era que o móvel se transformasse em uma mesa de desenhos e brincadeiras assim que deixássemos de usá-lo como trocador. Como eu tinha pouco tempo, decidi comprar um modelo pronto e esse foi o escolhido à época:

 

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*Fotos: OBA

Para diminuir a possibilidade de queda, decidi posicionar a mesa entre a parede e a lateral de um outro móvel, impedindo, assim, que minha bebê rolasse para os lados.  Além disso, a mesa era bem ampla, o que permitia ter tudo à mão, e isso sempre me deu muita segurança.

Em pleno trabalho de parto, já na maternidade, recebi a ligação da construtora para pegarmos as chaves do novo apartamento.  Uma loucura! Fizemos a mudança logo após a obra, quando a Lorena tinha quase cinco meses e continuei usando o trocador do mesmo modo. Mas, pouco depois, um acidente mudou tudo!

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Quando um acidente muda tudo! 

Como tínhamos uma cama bem grande e minha filha até então não rolava, era comum deixá-la dormindo no centro da cama, protegida por muitos travesseiros ao redor.

Um dia estávamos na sala e ouvimos dois sons: uma pancada seca e um choro abafado…

Sério: Não me lembro nem o que comi ontem, mas esses sons eu nunca mais vou esquecer… A cena da Lorena no chão, caída embaixo do bercinho (sim, tinha um bercinho no quarto!), com sangue escorrendo no seu rosto me levaram ao desespero. Vou parar o relato por aqui porque fico nervosa só de lembrar da cena…

A cama era bem alta (padrão King size americano) e, com a queda, ela poderia ter se ferido gravemente, mas só machucou um pouquinho o lábio. Apesar de ter sido o maior susto da minha vida, graças a Deus não foi nada grave. Amém!

Esse dia foi tão terrível e o trauma foi tão grande que, a partir dessa data, passei a ter pavor de possíveis quedas e comecei a trocá-la deitando-a no colchão no chão.

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mas qUAL SERIA A MINHA ESCOLHA HOJE?  

Por tudo isso, aliando a minha vivência às pesquisas sobre o método, acredito que hoje só usaria a bancada como trocador até os três/quatro meses de idade.

A partir daí, quando a criança começa a melhorar a coordenação de braços, pernas e mãos e a se interessar mais pelo espaço, passaria a realizar as trocas com o apoio do colchão, no chão.

Nessa fase, o lobo parietal- a parte do cérebro que rege a coordenação visomotora entre os olhos e a mão- passa a se desenvolver mais rapidamente, permitindo  que o bebê reconheça objetos e passe a se interessar cada vez mais pelo ambiente ao seu redor, o que é um barato!

Enquanto é trocado no chão, o bebê é estimulado pelo espaço ao seu redor e, caso se interesse por algo, saberá que está tudo á sua disposição após a troca. Não há barreiras para explorar os desafios desse novo mundo que se abre para a criança.

Ah! Mas muito cuidado com o que deixa ao alcance do seu bebê entre uma troca e outra, para evitar que se depare com uma cena como essa- Quase morri de susto com tamanha autonomia!! 🙂

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Um beeijo!

Priscila

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6 Comentários

  1. Heloísa Alves • em 17 de agosto 2017

    Nossa, que susto hein! Minha pequena faz 3 meses hoje é também dorme na minha cama, troco ela no berço, que por enquanto está com o estrado alto…Mas sempre fico pensando que ela ainda não vira sozinha e quando ela começar a virar pode ser de uma hora pra outra e eu não poderei estar por perto…
    Não investi praticamente nada no quartinho dela, pois também estávamos em processo de mudança para casa própria e ela acabou ficando com minha cômoda e guarda roupas antigos, com a promessa de que quando ela fossr para o quartinho dela íamos montar um com a carinha dela! Ainda bem que não montei, pois conheci o método Montessori faz duas semanas, e estou encantanda, me senti muito acolhida pois tinha pensamentos que se encontram em Montessori e vão na contramão dos “padrões” que predominam ao meu redor, como estimular a independência e autonomia, brinquedos educativos para que a criança brinque com eles e não o contrário, “lavagem cerebral nos canais de TV infantis” (falo de desenhos, propagandas de brinquedos minha gente! Até eu me sinto perdida…). Eu ficava pensando em maneiras de como ia fazer com minha Maria, aí conheço está bênção que é o método, mais desafiador sim para aplicar…Mas acredito piamente ser o melhor para minha pequena.
    Enfim…ainda temos quarto compartilhado, e minha questão é a da amamentação, pensei em uma cadeira confortável lá no quarto dela, imagino que assim ela irá se familiarizar mais no ambiente que é dela. Amamento muito na sala por exemplo, que será outro ambiente que terá um tapete de eva e uma mini estante com “ferramentas”. Como vocês fazem quanto aos lugares pra amamentar? Vi que a Lola mamou até perto dos 3 aninhos, e amei! Como você fazia? Obrigada por suas dicas! Estão me ajudando muito!

    • Priscila Guerreiro • em 17 de agosto 2017

      Oi Heloísa! Coisa boa ler esse seu relato! A alegria das pessoas ao descobrir e se identificar com o Método Montessori é realmente contagiante! 🙂
      Quanto aos brinquedos, ainda vamos começar a falar sobre as brincadeiras montessorianas aqui no blog. Continue acompanhando! Mas já posso te adiantar que é tudo muito simples e lúdico. E fazem um sucesso enorme com as crianças! Não sei se percebeu, mas atrás da Lola, nessa foto do post, tem uma garrafinha com arroz e era um dos “brinquedos” que ela mais amava! Vc verá o sucesso que faz com a criançada! Uma delícia!
      Quanto à amamentação, eu costumo sempre dizer que a escolha deve se pautar no mais confortável possível para a mãe e para o bebê e isso é muito pessoal. Algumas mães preferem amamentar em um lugar mais isolado e calmo, outras preferem na sala, interagindo com a rotina da casa. Não há certo ou errado, entende? No meu caso, nunca tive muita regra… Ora eu usava a cadeira de balanço que ficava quarto (que só usei mesmo para amamentar até um ano… depois, começou a ficar desconfortável pois ela sempre foi um bebê grande), ora eu preferia o sofá da sala com apoio das almofadas, ora amamentava na minha cama… Variava bastante. Temos alguns posts com dicas para a escolha da poltrona de amamentação no blog, já viu? Coloque na “lupa” que você encontra fácil. Que a Maria seja muito feliz com o seu quartinho montessoriano! Bjs

      • Heloisa Alves • em 19 de agosto 2017

        Li o post sobre as poltronas de amamentar logo após ter amei, como todos os posts, aqui também gosto de amamentar na sala! obrigada Pri! Bjinhos!

  2. Carina • em 17 de agosto 2017

    Fiz o quarto Montessori para minha filha apenas após 2 anos. Pois foi quando ela teve seu próprio quartinho. Para mamães, que como eu não tem espaço quando a bebê nasce, não desespera. Eu fazia a sala de TV em montessouri. Tudo que ela queria e podia ter acesso estava no chão, em um tapete enorme de brincar (aliás meu único investimento) umas almofadas e os brinquedos dela, dvd e tudo mais que tinha la.
    Hoje o quartinho dela tem a caminha de casinha, as prateleiras de livros e os brinquedos, tudo ao alcance. E para resolver o problema de espaço para guardar coisas, usei um armário onde apenas coloco as roupinhas dela mas gavetas embaixo (ao seu alcance) e nas portas acima uso para guardar outras coisas).

    • Priscila Guerreiro • em 17 de agosto 2017

      Oi Carina! É isso aí! Tudo ao seu tempo. Com amor e vontade de fazer, cada família encontra seu jeito próprio de ir aplicando o método, ainda que aos poucos. A beleza do Método Montessori está na sua simplicidade. Sempre dá para ir adaptando com o que a gente tem. Obrigada pela sua participação. Grande beijo!

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