08 setembro 2019

Mamãe vai viajar sozinha

Lifestyle | Pessoalidades

Na última semana, voltei de uma viagem sozinha a Santiago do Chile. Não fui a trabalho, mas para realizar um sonho e, de quebra, ter um período de descanso e reflexão; um tempo só para mim.

Mas com duas filhas pequenas, vocês devem imaginar que essa não foi uma decisão fácil…

Não dormi nas duas noites que antecederam a viagem. Perdi a conta de quantas vezes tive que explicar o porquê dessa decisão – para mim e para os outros.

Também perdi a conta de quantas mensagens lindas recebi de pessoas dizendo o quanto a minha experiência as inspirou a planejar uma viagem como a minha…

E é por isso que, no post de hoje, deixo um pouquinho de lado o universo materno e, depois de um tempão, volto a escrever a coluna Pessoalidades do Blog.

Assim, te convido a pegar o sua xícara de café e chegar mais perto para embarcar naquele papo gostoso de coração aberto, que eu tanto amo. Topa? 😉

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Se você acompanha o blog, já deve saber que eu amo viajar em família! Não tenho medo algum de viajar com crianças. Tanto, que a primeira viagem internacional da minha filha Antonella foi aos cinco meses, como contei aqui. Curto muito mesmo, de verdade!

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Mas então, o que leva uma mãe a desejar viajar sozinha? 

Viajar em família é delicioso, mas sejamos realistas: mãe não descansa. Isso é um fato. A gente está sempre se desdobrando em mil para dar conta de tudo…. mãe se preocupa se comeu, se dormiu, se bebeu água, se está com febre, se está com frio, … você viaja, está super feliz, mas a rotina de cuidados com os pequenos ainda está lá. 

Não há reclamação aqui. É claro que eu amo cuidar das minhas filhas! Mas o fato é que cuidando de crianças pequenas, voltamos das férias precisando de outras férias- Quem aí se identifica?- 🙂 

E além da rotina intensa de cuidados com os pequenos, ainda temos a rotina de trabalho dentro e fora de casa, né gente? 

Sim, mãe também precisa de férias! Eu já pensava assim… Mas essa ideia parecia algo tão distante da realidade… Nos meus pensamentos delirantes em meio ao caos, eu sonhava tirar uns dias de férias, mas, sinceramente,  achava que isso só aconteceria quando elas estivessem maiores, daqui a alguns anos…

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O momento de “resetar”

Mas em meio a um período de quatro meses de um trabalho muito intenso, em um projeto que me deixou totalmente sem rotina, eu percebi que realmente precisava tirar essas férias assim que ele acabasse.

Eu estava permanentemente cansada. E percebi que estava ficando, estressada, chata e impaciente.  Eu me olhava e pensava: peraí! eu não sou assim! – e foi então que percebi que era chegada a hora de dar uma parada e “resetar“.

Um tempo para silenciar a mente e de me reconectar comigo, sabe?

E foi aí que percebi aí que há mais de seis anos, desde que engravidei da minha primeira filha, eu não tirava um tempo para descansar de verdade, olhar para dentro e colocar seu corpo e mente em ordem, sabe?

Eu realmente amo viajar! Nunca tive carro zero nem bolsa cara, mas valorizo imensamente cada uma das minhas lembranças de viagens, como já contei  aqui.

Diversos estudos já comprovaram a necessidade do cérebro de realizar pausas para alimentar a criatividade e encontrar novos caminhos, novas soluções, novos horizontes. Eu realmente acredito e preciso dessas pausas criativas para me sentir bem.

Eu já viajei bastante, mas NUNCA sozinha. Senti que era chegada a hora de viver essa experiência…

Conversei com meu marido. E foi o apoio dele que me deu a coragem que eu precisava! Ele e a nossa querida ajudante cuidariam de nossas pequenas nessa semana que eu estaria fora. Seria uma viagem curta, de uma semana. Não tinha realmente por que me preocupar.

coracao-rosa.png.semfundo-4Você já pensou em se dar um presente?

Saí dessa conversa tranquila e feliz com a minha viagem. Eu merecia essas mini-férias!

E foi aí que decidi me dar um outro presente: resolvi realizar um sonho antigo e me inscrever em um curso no Centro de Estudos Montessori do Chile.

Olhei a agenda e bingo! As datas batiam! O universo estava conspirando a meu favor! 🙂 Comprei as passagens no mesmo dia para não correr o risco de me deixar levar pela culpa. Porque uma hora ela chegaria… Sim, eu sabia que ela viria…

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A culpa

A gente se torna mãe e junto vem a culpa- não há nada mais clichê, nem mais verdadeiro.

Não importa o quanto você se dedique, passe noites em claro, se preocupe com a alimentação e se desdobre em mil para dar conta de tudo. Invariavelmente, a culpa estará lá, rondando os seus pensamentos.

E se isso acontece na mais absoluta c.n.t.p., o que dizer quando se decide viajar sozinha, sem marido e filhos? Sim, lá vem ela! Eu sabia disso. Mas decidi enfrentá-la e aprender a lidar com ela.

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A preparação

Comprei as passagens, inscrevi-me no curso e planejei toda a viagem em duas semanas e meia.  Tudo estava indo muito bem até eu começar a arrumar as malas.

Preparei toda a rotina das meninas, e inclusive, fiz um calendário, com um presente para cada dia em que eu estivesse ausente. A ideia era ajudar a Lorena a entender, de uma forma lúdica e concreta, que logo, logo a mamãe estaria de volta.

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Como temos uma rotina juntas à noite e sempre contamos historinhas antes dela dormir, decidi deixar como presente, dois livrinhos novos para cada dia em que eu estivesse fora. Seria um momento muito divertido só dela e do pai! Sabia que ela amaria essa surpresa!

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Chegou a hora!

Mesmo com toda essa preparação, não dormi nos dois dias que antecederam a viagem. Eu olhava para as minhas pequenas e batia uma culpa tão grande!

Eu estava bastante ansiosa, perdi o sono, fiquei nervosa, e me deparei com medos que eu nunca achei que teria que encarar…E se acontecesse algo com elas nesses dias? E se acontecesse algo comigo durante a viagem? Juro: pensei seriamente em cancelar tudo!

Fui para o aeroporto com o coração apertado e lágrimas nos olhos… Que sensação estranha! Era para eu estar radiante de felicidade! Mas eu não estava…

Nem o Free Shop me animou! Sério, comecei a ficar preocupada… 🙂

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Foco na experiência! 

Sentei no avião e pensei: A única coisa que posso fazer com essa culpa, é aprender a lidar com ela. Não tem mais jeito! Agora eu não posso embarcar nessa espiral e estragar minha viagem! Decidi então finalmente começar a praticar o tal do mindfulness.

Atenção plena ao que eu estava vivendo, sem ficar fazendo projeções ou imaginar o que poderia acontecer se…

Simples assim.

Decidi começar então focando em um objetivo prático: mergulhar fundo nos meus estudos sobre o Método Montessori, como eu tanto desejava!

Para começar, eu percebi que teria quatro horas e meia de silêncio para ler sem interrupções! Uau! Há quanto tempo eu não sabia o que era isso?!  🙂

As horas iniciais de leitura passaram voando, até que adormeci… De repente, após um aviso do piloto, olho pela janela e vejo essa paisagem:

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Uau! Era real! Minha vigem estava só começando!

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Embarque comigo!

Nos próximos posts, vou contar como foi essa viagem incrível! Mas, antes de encerrar este texto preciso dar um spoiler: se você tiver uma rede de apoio que possa assegurar que seus pequenos estarão bem durante alguns dias, SUPER RECOMENDO ESSA EXPERIÊNCIA!

Sabe aquele papo de “se eu não estou bem para cuidar da minha família, eles também não ficarão bem”? Pois é isso aí!  Eu preciso estar firme, inteira e feliz para fazê-los felizes também. E alguns dias inteirinhos pra mim recarregaram as minhas baterias o ano todo.

Depois dessa viagem, aprendi que dá pra controlar a ansiedade, segurar os delírios maternos e acreditar que, no regresso, você vai perceber o quanto essa experiência foi boa para todos!

Afinal, além de ser um período super importante para nós, mães, ele também é um período incrível para os pais e filhos pois serão dias só deles! E mesmo que seu companheiro seja super parceiro, duvido que ele vivencie o cuidado pleno com as crias quando a mama está por perto, estou certa?

Ah! E vocês certamente terão histórias maravilhosas para rir por muito tempo!

E você?

Já vivenciou ou pensa em vivenciar uma experiência assim?

Conte para a gente!

Eu adoro saber sobre quem está aí do outro lado comigo! 😉

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Grande beijo!

Pri Guerreiro

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