09 maio 2017

Quarto compartilhado: até quando? E com a chegada um irmãozinho?

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Bebês devem dormir no quarto dos pais pelo menos até os seis meses,  Ok. Mas e a partir daí?  Qual o momento certo de fazer a transição? E como fica o quarto compartilhado com a chegada do novo irmãozinho? Hoje continuamos a responder as  dúvidas apresentadas pela nossa leitora Renata sobre quarto compartilhado usando o co-sleeper (mini-berço).  Confira!

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Este post traz a segunda parte da resposta aos questionamentos feitos pela nossa querida leitora sobre quarto compartilhado. Mas devo confessar: foi um grande desafio! Dar opinião sobre os hábitos de uma família é realmente algo muito difícil!

Mas como ela pediu a minha opinião e eu não corro da raia, este post foi escrito após muita pesquisa, a fim de que eu conseguisse firmar um entendimento mais claro sobre o assunto.

Longe de querer apresentar uma solução, apresento outros pontos de vista para ajudar a Rê a refletir sobre o tema e, quem sabe, ajudá-la a encontrar o formato ideal para a sua família. Sigamos juntas nessa eterna busca! 🙂

favicon De seis meses a um ano

Para começar o papo, é importante lembrar que a recomendação para o uso do quarto compartilhado até os seis meses é dada com base na recomendação da Academia Americana de Pediatria (AAP) e da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

Algumas linhas médicas- inclusive a adotada pela Academia Americana de Pediatria– recomendam que o ideal seria que o bebê dormisse no quarto dos pais até completar um ano. Mas, a discussão é grande porque, realmente, após os seis meses, não há consenso médico.

Por isso, afirmamos que, a parir dos seis meses a decisão deve ser adotada pela família, com base nos seus valores, hábitos e crenças. E vou além: a partir da vivência da família com o bebê, pois só essa experiência com o novo membro dirá se os planos iniciais de arranjo do sono familiar deverão ser mantidos ou adaptados. Sem pitacos, por favor! 🙂

favicon A partir do primeiro ano

De modo geral, a partir do primeiro ano, encerram-se os argumentos médicos em defesa do quarto compartilhado com os pais. Começam a surgir então fortes argumentos em defesa de que a criança passe a ocupar o seu próprio espaço como forma de exercitar a sua autonomia.

Não existe uma idade certa para essa transição. Ela deve acontecer quando os pais se sentirem seguros e confortáveis com isso. Mas é certo que se o processo de transição for realizado com segurança e afeto, não haverá traumas.

Pensando sob a perspectiva da criança, alguns psicólogos afirmam que, quanto mais tarde, mais difícil será essa transição. Isso porque o pequeno se acostuma com a presença do adulto para conseguir pegar no sono.

A partir dos três anos de idade a transição para o quarto da criança poderá tornar-se mais complicada. Nessa idade, é provável que a criança sinta mais intensamente a separação dos pais e, assim,  poderá começar a manifestar sintomas de ansiedade na hora de dormir.

Sob a perspectiva dos pais, apesar de ser uma delícia dormir abraçadinhos com o filhote- quem não ama aquele cheirinho?:)- , um forte argumento para que o pequeno tenha seu próprio quartinho é que, mesmo com a chegada do bebê, os pais ainda são um casal, e como tal, deve manter sua intimidade e momentos a sós preservados.

 

bebe-cama-dos-pais-cama-compartilhada-toca-lolaAssim, muitos defendem que dormir com os pais deve ser uma exceção e não uma regra, tanto pela saúde do casal quanto pela saúde e descanso do pai, da mãe e da própria criança.

favicon A chegada de um irmão

Por falar em descanso, a situação do quarto compartilhado da nossa leitora mudará em breve, com a chegada de um irmãozinho para sua filhota.

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Nessa situação,com um recém- nascido no quarto, é possível que o sono da pequena seja comprometido com o choro e os cuidados da mãe com o bebê durante a madrugada, o que requer uma avaliação da nova situação pela família.

Alguns bebês são realmente muito tranquilos e dormem a noite toda desde muito pequenos. Na França, por exemplo, é comum que os bebês comecem a “cumprir a noite”, como eles chamam, entre 2 e 4 meses. Se esse for o caso do seu bebê, parabéns, pode comemorar!! 🙂 afinal, você viverá uma situação bem diferente do cenário mais comumente vivenciado pelas famílias brasileiras- pelo menos, as que eu conheço!- nos primeiros meses de um bebê.

Na verdade, apesar de existirem múltiplas teorias e estudos realizados neste campo e é fundamental que prevaleça o bom senso, sendo privilegiado sempre o adequado desenvolvimento e bem-estar das crianças (Ouça o seu “feeling materno” pois ele é poderosíssimo!)

Cabe ressaltar que o mais importante é que essa transição aconteça no momento em que a família esteja preparada e decidida por esta mudança. Quando a iniciar, os pais devem transmitir confiança e alegria com o novo quarto e não devem voltar atrás para não causar insegurança na criança.

De todo modo, considerando que a filha de Rê possui 19 meses e que seu filho nascerá dentro de quarto meses, eu sugeriria que a família analisasse com calma a possibilidade de já iniciar a transição da menina para o seu quarto.

Se decidirem pela transição, sugiro que comecem o quanto antes para que a adaptação ocorra antes da chegada do bebê. O importante é que ela não associe a chegada do novo membro à saída do quarto dos pais.

favicon Mas como fazer a transição? 

Para uma transição mais tranquila, aqui vão algumas dicas:

Especialistas sugerem que a criança seja envolvida na criação e montagem do novo quarto para que ela vivencie essa etapa com mais motivação e alegria.

Propõem ainda que o processo seja realizado gradualmente. Para isso, costumam sugerir que seja criado um ritual em que o adulto, sentado em uma cadeira, conte uma histórias ou cante canções de ninar e faça carinho até a criança dormir.

A ideia é que, com o passar do tempo, o adulto vá afastando a cadeira da cama até que a criança seja condicionada a ir dormir ainda acordada e sem a dependência do contato físico com o adulto.

É recomendado ainda que, se necessário, utilize um objeto de transição como fralda, paninho ou bicho de pelúcia.

Em alguns casos, se a criança tiver medo de escuro, os pais poderão ainda usar uma suave iluminação de apoio para dar segurança e auxiliar no processo. Eu vou além, sugiro que seja acrescida uma boa dose de ludicidade nessa iluminação suave. Aqui vão algumas ideias:

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Ao estimular a criatividade com uma iluminação especial, conseguimos aumentar o encantamento da pequena com o quarto novo, o que pode realmente auxiliar esse processo de transição.

Depois, basta ter paciência, persistência e muito amor para que a criança logo se acostume com o seu próprio cantinho.

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Este é o abajour que uso no quarto da Lola desde bebê e foi o primeiro objeto decorativo que adquiri para o quarto dela. Ela adora e cria várias histórias com esse cogumelo! Conosco, funciona muito bem para criar o ritual de acalmar e ler uma historinha, mas, na hora de dormir de verdade, o quarto precisa estar totalmente no escuro ou ela não dorme. É aquela velha história, cada família precisa se adaptar e encontrar o seu jeito próprio de vivenciar a situação da melhor forma.

Curiosidade: Por mais estranho que possa parecer, estudos realizados pelo Lighting Research Center apontam que a luz vermelha é a mais apropriada para uso à noite pois não afeta a visão noturna e tem menos poder de mudar o ritmo circadiano e suprimir a melatonina. Por aqui tem funcionado! 🙂

Espero ter ajudado a Rê a refletir melhor sobre a questão da cama compartilhada e, com essas informações, ajudá-la a encontrar a solução mais adequada para a sua família.

E já pensando na adaptação futura dos irmãos no novo quarto, em breve traremos muita inspiração para quartos compartilhados entre menino e menina.

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E você, gostou deste post? Não se esqueça de deixar seu comentário e, se gostou, não deixe de curtir o post e nos ajudar a divulgar a Toca Lola entre os amigos. 

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Um grande beijo!

Pri Guerreiro

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Fontes – pesquisa: BBC Brasil , Sociedade Brasileira de Pediatria , Academia Americana de Pediatria, Revista Pais e Filhos, Revista Crescer

Fontes- imagens: fotos pessoais e via Pinterest

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