20 novembro 2017

Gravidez depois dos 35 anos (sob o olhar da mãe!)

Diário de Gestação | Gestação | Pessoalidades

Como contei  no post anterior, estou grávida!! Mais precisamente, com 12 semanas e 5 dias. E hoje começamos o nosso Diário da Gravidez, onde compartilharei com vocês as minhas experiências e sentimentos nesta segunda gestação. Comecei a escrever este primeiro texto falando sobre coisas triviais do primeiro trimestre como sintomas, cuidados e tal…

Mas logo me veio uma vontade genuína de abrir o meu coração e me revelar de uma forma mais profunda e verdadeira … Assim, resolvi compartilhar a humanidade que nos une por meio de um sentimento chegou de forma inesperada:  o medo dos riscos da gravidez após os 35 anos.  

Pegue aquela xícara de café, uns biscoitinhos e vamos papear…. Hoje é dia de abrir o coração…

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Ser mãe de dois

A maternidade é uma experiência única, que muda definitivamente a vida de qualquer mulher. Dos homens também, é claro! Mas são transformações completamente diferentes. Não dá para comparar…A gestação conduz a mulher a um universo desconhecido e, em meio às avalanches hormonais e transformações físicas e emocionais, mergulhamos em um turbilhão de sentimentos transformadores – e por vezes até assustadores!- mas, ao mesmo tempo, apaixonantes.

Como contei  no post anterior, sempre sonhei ser mãe de duas crianças. Mas a distância entre o sonho e a realidade é enorme e começam os inúmeros questionamentos que passam a nos acompanhar quando pensamos no segundo filho.

Será que vou dar conta de dois? Será que vou conseguir amar tanto o segundo quanto amo o primeiro filho? Será que cabe mais um filho no nosso orçamento? Com tão pouco tempo, será que conseguirei ser uma boa mãe para as duas crianças? Será que chegou a hora certa? –  Essas são apenas algumas das perguntas que costumamos nos fazer quando pensamos no segundo filho.

Eu ainda não tinha todas as respostas… Aliás, quem tem? hahahaha… Por isso, apesar da surpresa, agora, com três meses de gestação, posso dizer todas as dúvidas já foram transformadas em certezas. Sim, hoje tenho certeza de que foi o melhor presente que poderíamos ter recebido. Estou realmente muito feliz!

Apesar desse sentimento pleno e profundo, preciso confessar que ele não esteve presente durante todo esse primeiro trimestre…Na verdade, o que eu mais senti durante o primeiro trimestre foi medo.

Eu não precisava escrever sobre isso aqui no blog… Afinal, essa não é a melhor forma de começar um diário de gestação no blog…. hahahaha … Eu poderia reforçar a maternidade rosa e simplesmente dizer que foi tudo lindo e perfeito. Mas achei importante compartilhar esses sentimentos para que outras mães na mesma situação possam se identificar, reconhecer a humanidade em suas fragilidades e entender que a avalanche de sentimentos que invade a mulher nesse período é normal. É normal sentir medo. E não é preciso se sentir culpada por isso. 

Vamos conversar sobre isso?

Gestação depois dos 35 anos

Como vocês souberam no post anterior, resolvi esperar um pouco para dar a notícia da gravidez. Os médicos recomendam esperar até o fim do terceiro mês para divulgar a novidade, pois cerca de 25% das gestações terminam espontaneamente neste período.

Sinceramente, não lembro de ter pensado sobre isso na primeira gravidez. Contei para todo o mundo assim que soube que estava grávida, aos 33 anos. Aliás, na primeira gestação, eu estava tão radiante e tão apaixonada sonhando em descobrir cada detalhe do mundo materno que se abria para mim, que não havia espaço pensar muito sobre qualquer possível problema.

OK. Não é a melhor forma de começar um post sobre gestação, sim, eu sei. Mas, como sempre,  preciso ser verdadeira com vocês: saber do aumento dos riscos de uma gestação tardia, realmente me preocupou bastante nesses primeiros meses.

Sim, eu sei que eu estou com apenas 37 anos. A cada dia vemos mais mulheres tendo filhos cada vez mais tarde, isso é um reflexo do nosso estilo de vida, sim, eu sei. Minha avó, por exemplo,  teve sua última filha aos 43 anos e foi tudo ótimo!

Mas não podemos negar a natureza: A mulher já nasce com todas as células no ovário e o envelhecimento dos óvulos aumenta os riscos da gestação de problemas genéticos, e aumentam as chance de desenvolver diabetes e hipertensão. Isso é o que nos alerta a medicina.

Além do risco da perda em si, acredito que boa parte do meu temor nesta gestação estava relacionado ao fato de que agora existia uma menininha de três anos que já conversava com o bebezinho na barriga à noite. Pensar em vivenciar essa possível perda me assustava demais.

Não, eu não estava ansiosa, estressada, nada disso. Eu estava até bem calma e tranquila com a chegada do bebê em si. Bem diferente da primeira gestação, aliás! Eu estava mesmo muito preocupada com a saúde do bebê.

“Super – mulher”, é normal sentir medo…

Foi muito ruim sentir todo esse medo e não poder conversar com ninguém sobre isso…Sim, é claro que eu podia conversar, mas eu não queria… Falar com as pessoas sobre esse medo não resolveria nada- pensava eu. Além do mais, a gente é “treinada” para ser forte, para pensar positivo e ser a “Super -Mulher” que dá conta de tudo com sorriso no rosto, não é?

Assim, ainda que inconscientemente, quando  aquele medo vinha, eu me programava para afastá-lo para bem longe e tentava não pensar no assunto. Nesse processo, confesso que perdi muitas horas de sono…

Vivendo esse processo interno, não teve muito espaço para curtir o primeiro trimestre … A verdade é que eu só queria que o tempo passasse para saber se estava tudo bem com o meu bebê.

E assim o primeiro trimestre passou, tudo correu muito bem e chegou o tão aguardado exame de transnuscência nucal, um exame de rotina, que deve ser feito entre 11 e 13 semanas de gravidez e cujo principal objetivo é ajudar a detectar o risco de síndrome de Down e outras anomalias cromossômicas, além de problemas cardíacos e de malformação.

É importante ressaltar que o exame de translucência nucal não é um diagnóstico. O exame  apenas dá indicações da possibilidade da presença de algumas síndromes ou malformação, o que já é importantíssimo e, por isso, ele é o considerado um dos exames mais importantes do pré-natal.

Mas vale informar que hoje em dia já existe um exame com uma precisão de resultado bem maior chamado NIPT (Non-Invasive Prenatal Testing), conhecido como Teste Pré-natal Não Invasivo, que pode ser feito a partir da 10ª semana de gravidez, a partir de um simples exame de sangue.

Por ser um exame relativamente novo, seu preço ainda é alto no Brasil. Assim, o mais indicado é conversar com seu médico e esclarecer todas as suas dúvidas sobre o assunto para saber se há indicação para a a sua realização.

 

Tudo certo com o bebê!

Enfim, fiz o exame de transnuscência nucal e foi emocionante demais ouvir da médica: –Está   tudo certinho com o seu exame. Seu bebê está ótimo!  – Se você já é mãe, vai entender a alegria profunda que invadiu meu coração nesse momento! Uma gratidão imensa e indescritível.

E aí, finalmente, a ficha caiu. A partir daquele momento pude relaxar um pouco e, realmente, começar a curtir a minha gestação. Sim, mandei o medo ir embora de vez! Ok, eu seu que ainda estou no começo da gestação e que a viagem ainda será longa, mas o fato é que consegui vencer o meu medo. Em seu lugar, agora só há espaço para um amor imenso e uma força materna que cresce a cada minuto. 🙂

A barriga já começou a despontar e, Graças a Deus, comecei a curtir a minha gravidez. Agora é só alegria e só consigo pensar nos benefícios de ser mãe depois dos 35. hahahahaha… Que todo esse amor e essa energia contagie cada um de vocês!  No próximo post falarei sobre os sintomas e cuidados, alegrias e mais emoção nesse primeiro trimestre. Continuem acompanhando a nossa Toca!

E para vocês? Como foi esse primeiro trimestre? Contem! Contem! 🙂 

Um grande beijo!

Pri Guerreiro

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13 Comentários

  1. Janaine Santos • em 22 de novembro 2017

    Perfeito, me sinto exatamente assim..

  2. Amanda • em 22 de novembro 2017

    Gostei muito do seu texto, pois estou vivendo a mesma situação. Estou gestante de 22 semanas do meu terceiro filho, aos 37 anos de idade, e o meu filho mais novo tem 18 anos. O meu primeiro trimestre não foi nada fácil, além do misto de sentimentos passei por muitas situações que desconhecia. Tive sangramento em todo esse período, e até ouvi de um médico: Vai para casa e espera o pior! No ultrasson do primeiro trimestre a única preucupação era se o meu bebê tinha a saúde perfeita, e ouvir seu coração batendo. Mas Deus é muito bom e perfeito que o meu bebê passa bem e minha gestação segue em curso normal.

    • Priscila Guerreiro • em 24 de novembro 2017

      É isso aí, Amanda! Percebi que ninguém fala do medo que a gente sente…. As pessoas só falam sobre sentimentos lindos durante a gestação e a gente acaba se sentindo culpada por sentir medo… Escrevi o post para compartilhar esse sentimento e dizer que ele é muito normal! Não somos menos mãe por sentir medo no começo… Mas nada supera a alegria quando sabemos que está tudo bem, né? 🙂 Muito amor, saúde e paz na sua gestação! Bjs, Pri

  3. Erika • em 23 de novembro 2017

    Eu imagino o q vc deve ter passado,pois estou de 30 semanas de gestação,depois de uma laqueadura,a 12 anos,e recentemente ,a tirada de uma trompa,e ovário às pressas ,por uma ectópica,mas Deus quis me mandar esse belo presente,e aceitei de coração,com muito medo ,pois estou com 37 é várias complicação enorme,mas deus é bom,e quando ele quer te presentear te dá o melhor,bjs….

    • Priscila Guerreiro • em 24 de novembro 2017

      Sim, Érika, esse comecinho não é fácil, né? Mas graças a Deus está tudo bem com nossos bebês! Obrigada por compartilhar sua história com a gente! Muito amor, saúde e paz para vc e seu bebê! Bjs, Pri

  4. Vanessa • em 24 de novembro 2017

    Tbm estou sentindo td do primeiro trimestre…meu filho tem 13 anos e a cegonha resolveu me visitar aos 36 anos…td agora resume em medo…

    • Priscila Guerreiro • em 24 de novembro 2017

      Oi Vanessa! Como disse no texto, escrevi esse post para que as mães percebam o quanto esse sentimento é normal… Não se culpe por sentir medo. Mas tenha fé, vai dar tudo certo! Muita saúde, amor e paz para vc e o seu bebê! Bjs, Pri.

  5. Fernanda • em 15 de dezembro 2017

    Adorei seu post, estou passando por isso nesse momento, tenho 40 anos uma filha de 15 anos. Estou de 11 semanas e dia 19 de Dezembro vou fazer a TN, fora meu marido e minha filha ninguém sabe da gravidez. Nesse momento vários sentimentos estão explodindo dentro de mim. Estou muito preocupa. Realmente esses três meses foram de tensão total. Estou tentando ficar calma, mas tá impossível, sei q Deus está comigo.

    • Priscila Guerreiro • em 15 de dezembro 2017

      Oi Fernanda!! Sei exatamente o que está sentindo!E o pior é o sentimento de culpa quando o medo vem com força, né? Mas acredite, minha amiga, isso vai passar e vai dar tudo certo! Espero que você retorne com boas notícias em breve!:)Felicidade com o seu bebÊ!! Um grande beijo e um forte abraço para vc!!

  6. Aline Campelo • em 16 de dezembro 2017

    Nossa, como foi bom ler estes depoimentos… Se tem algo que estou sentindo é muito medo … Tenho 41 anos e é a minha primeira gravidez. Pra piorar, trabalho num hospital de reabilitação e vejo diariamente apenas crianças deficientes… Esta é a minha rotina diária….Hoje conheci minha provável obstetra e ela enfatizou para eu fazer o NIPT…. Fiquei apavorada, pois achava que apenas era necessário este exame quando dava alguma alteração na translucência nucal… O medo me invadiu mais ainda e chorei escondido várias vezes hoje…. Fiquei pensando no que fazer, como me ajudar… Terapia, floral, meditação…. Sinto culpa pois sei que tudo o que sinto passo para o bebê. Só queria passar coisa boa pra ele….

    • Priscila Guerreiro • em 28 de dezembro 2017

      Oi Aline! Antes de tudo, receba o meu forte abraço! Sei exatamente como está se sentindo… é normal ter medo… mas tente se acalmar e tenha fé que tudo ficará bem!! Eu rezava quando sentia medo… Vc vai encontrar uma forma de aliviar esse sentimento. Logo, logo, vc estará com o seu bebê. Espero que em breve vc nos escreva com boas notícias! Grande beijo!!

  7. Ana • em 5 de Janeiro 2018

    Tenho 38 anos e estou grávida de semanas. No primeiro trimestre também senti medo. Medo de não dar conta, medo do cansaço, medo daquele comecinho que na minha primeira gestação foi exaustivo (icterícia, leite que não descia etc). Medo de não conseguir relaxar e curtir. A gravidez foi desejada mas confesso que fiquei muito tensa. Me senti culpada por isso, era quase como se não estivesse feliz. Agora já estou mais tranquila e confiante. Beijos mamães.

    • Priscila Guerreiro • em 5 de Janeiro 2018

      Oi Ana! Obrigada pelo seu depoimento! Como ele é importante! O seu, o meu e o de todas as mães que estão deixando o seu relato por aqui… Como é importante as mães se sentirem representadas não só em suas alegrias, mas também nos medos e angústias maternas…Isso nos ajuda a diminuir um pouco a culpa que insiste em aparecer e nos dá esperança com uma mensagem positiva de que tudo isso em breve vai passar e enfim poderemos curtir a nossa gestação com toda a alegria que cada gestação merece ser vivenciada. Grande beijo! Pri

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