17 abril 2017

Quarto montessoriano: O colchão no chão e o desenvolvimento da autonomia

Ambiente Montessoriano | Método Montessori | Quarto Montessoriano

Toda  criança é dotada de infinita potencialidade. Assim, a partir de um ambiente preparado, ela é capaz de explorar suas capacidades e promover o seu autocrescimento. Em um ambiente montessoriano, o espaço ensina. Mas o que um colchão no chão pode ensinar ao bebê?

quarto-montessoriano-bebe-colchao-chao-toca-lola-1Se você leu o  post anterior, certamente já entendeu que o respeito pela criança e a autoeducação no desenvolvimento da autonomia são bases fundamentais para o desenvolvimento do método.

A proposta do método é que a criança aprenda a fazer escolhas de uma forma autônoma, responsável e respeitosa, o que, certamente, contribui para o desenvolvimento de um adulto seguro e com autoestima elevada.

Montessori na prática

Bases sedimentadas, chegou a hora de começarmos a pensar de forma prática!coracao-pretopngsemfundo-300x300

Mas já te aviso: não espere uma fórmula. O que eu te proponho aqui, na Toca, é que a gente pense juntos sobre a criação do espaço, de modo a entender o porquê das coisas e, assim, te dar informação e inspiração para que você consiga fazer as suas próprias escolhas para a criação de um espaço que se adeque às necessidades do seu filho e de sua família.

Jamais vou te dizer para jogar fora o berço do seu filho e colocar o colchão no chão. O que proponho por aqui é te explicar qual ideia está inserida na ação de colocar o bebê na altura do chão e , a partir dessa informação, você decidirá como utilizá-la da forma mais adequada à realidade da sua família, ou não.

Este é o primeiro post de uma série que irá abordar a criação do espaço montessoriano. Por aqui, compartilharei o que aprendi como designer de interiores, mãe e pesquisadora curiosa por entender e aplicar o método. Espero que gostem!

faviconO desenvolvimento da autonomiabolinhas-300x38

Para começarmos, eu te convido a pensar em um quarto de bebê tradicional da sua infância. Provavelmente, você pensará nos seguintes itens: berço, armário, trocador e brinquedos, que provavelmente ficavam acondicionados em caixas ou em prateleiras altas.

Como você poder perceber, o ambiente era feito sob a perspectiva do adulto e para as dimensões de um adulto. Desse modo, quando acordava, o bebê estava preso em um berço e precisava começar a chorar para que alguém o tirasse dali e o colocasse em um outro espaço para brincar. Precisava ainda de alguém que escolhesse e pegasse os brinquedos e com os quais ele iria brincar.

berço-bebe-tradicional-toca-lolaMesmo depois, quando esse bebê estivesse um pouquinho maior, lá pelos três anos, ainda precisaria de alguém que pegasse suas roupas no armário (alto), que alcançasse o shampoo e o sabonete para dar-lhe o banho e, por fim, que ainda o vestisse e o alimentasse. “O cuidar” estava atrelado ao “fazer pela criança”.

O espaço não proporcionava qualquer autonomia. A criança não possuía desafios a serem superados. Ela era vista como um ser completamente dependente do adulto durante todo o tempo.

Voltando ao quarto daquele mesmo bebê… Agora imagine que ele acordou e, ao abrir os olhinhos, viu brinquedos coloridos e atrativos a dois metros de onde ele está. Não existem grades cerceando o seu movimento. O que ele vai fazer: chorar para a mãe pegar o brinquedo ou vai se esforçar para tentar alcançar o brinquedo sozinho?

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É muito provável que ele abra um sorriso e vá se esforçar para chegar até o brinquedo. Apostaria, inclusive, que ele nem vai se lembrar de chorar porque tem algo muito mais interessante a fazer 😊

A partir desse estímulo extra, primeiro ele vai se empenhar para se arrastar até o brinquedo, depois, aprenderá a engatinhar e, depois, a andar até lá. Entenderam a diferença?

Todas essas pequenas vitórias do dia-a-dia de um bebê são estímulos cerebrais poderosíssimos, que desenvolverão áreas específicas do cérebro e contribuirão para a  formação de capacidades cognitivas, motoras e emocionais.

Essas habilidades refletirão em sua personalidade e acompanharão o indivíduo ao longo de toda a vida. Daí a importância dos estímulos sensoriais, da interação emocional e das experiências para o desenvolvimento do cérebro desde os primeiros meses de vida.

 faviconPesquisas Apontam

Se eu ainda não te convenci, preciso te contar que um estudo realizado na Universidade de Montreal com 78 mães e filhos mostrou que, quando elas dão autonomia às crianças, há um impacto positivo na função executiva, um dos pilares do desenvolvimento cognitivo.

Essa função engloba a memória de trabalho, raciocínio, capacidade de resolução de problemas e flexibilidade de tarefas, além da capacidade de planejamento e execução de atividades.

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montessori-toca-lola3-1Para o estudo, as famílias foram visitadas em duas ocasiões: quando a criança tinha 15 meses e depois, ao completar 3 anos.

Na primeira visita, foi pedido à mãe que ajudasse o filho a completar uma tarefa com um nível de dificuldade consideravelmente alto. Essa atividade durava cerca de 10 minutos e foi gravada em vídeo para que os pesquisadores pudessem analisar o tipo de suporte materno. Ou seja, se ela o encorajava, se era flexível, se incentivava e respeitava o ritmo da criança.

Quando as crianças completaram 3 anos, os cientistas, por meio de uma série de jogos adaptados, avaliaram a força da memória de trabalho e da capacidade de pensar sobre vários conceitos simultaneamente. Aquelas que obtiveram melhores pontuações tinham mães que ofereciam um suporte consistente ao desenvolvimento de sua autonomia.

Entenderam como é poderoso um simples gesto de estimular a autonomia do bebê colocando- o sem barreiras, na altura do chão?  E a médica e educadora Maria Montessori já sabia disso no início do século passado.

faviconO colchão no chão

Então, minhas amigas (e amigos), vem daí o motivo do colchão no chão. Não é moda.

E também não importa se você vai decidir colocar a cama casinha, um tatame com um colchão, ou só colocar o colchão no chão, o importante é que se bebê esteja livre (e seguro!) para se movimentar por esse ambiente de forma livre e autônoma.

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E, por falar em segurança, este é outro aspecto importante a ser destacado: Ao colocar o colchão no chão, não há risco do seu bebê escalar e cair do berço, não é?

Ainda quanto à segurança, eu só ressaltaria que, quando se opta por um quarto montessoriano, a família deve estar ainda mais atenta aos pequenos objetos que podem cair no chão e serem levados à boca pelo bebê. Já tomei alguns sustos em casa por isso.

Para finalizar este post, gostaria de dizer que o que acho mais lindo no Método Montessoriano é que democrático, simples e acessível.

Acredite: as bases conceituais do método Montessori (e seus benefícios!) podem ser aplicáveis no quarto de uma criança de uma comunidade, com poucos recursos, ou do Príncipe na Inglaterra (no caso de George, literalmente!) 🙂

Nos próximos posts da série, analisaremos juntos os demais elementos para a criação de um quarto montessoriano para o seu bebê.

Inscreva-se no blog e receba os posts em seu email. Ah! E se gostou do post, não se esqueça de curtir e de compartilhar com a gente o que você está achando do método ( e do Blog:) )

Grande beijo!  

Pri Guerreiro 

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 Fontes:

Larmontessori, OMB, The Kavanaugh Report, Revista Crescer

9 Comentários

  1. juliana valeria morais silva • em 23 de junho 2017

    ola priscila, bom dia
    estou me preparando para ser mãe, tenho 30 anos e 8 de casamento. há um tempo atrás li algo na internet sobre o método montessoriano e me apaixonei por ele. nos últimos dias tenho pesquisado mais sobre o mesmo e encontrei seu blog na net e achei fantástico. tirei muitas duvidas que tinha, e meu marido também se apaixonou por tudo.
    quero muito implantar o método quando tiver meu bebê.
    quero lhe dizer que seu blog é lindo e as informações de grande valor.
    um abraço.

  2. Priscila Guerreiro • em 26 de junho 2017

    Oi Jú! Que maravilha começar a semana lendo essa sua mensagem! 😊
    A Toca Lola é a realização de um sonho alinhado a um propósito de vida, ou seja, tudo feito com muito comprometimento, amor e dedicação. Mas, realmente, criar e manter um blog atualizado e com informações técnicas confiáveis, dá um trabalhão ( muito mais do que eu podia imaginar..kkkk) e é uma responsabilidade enorme!
    Por isso, receber uma mensagem como essa sua é o que me move a continuar acreditando e investindo nesse trabalho! Saber que estou contribuindo com as famílias na criação de um universo lúdico e estimulante para os nossos pequenos não tem preço!
    Esse feedback é realmente importante para mim! Muito obrigada pelo carinho e pela participação no blog! Continue conosco contribuindo para que a Toca seja esse espaço de compartilhamento tão verdadeiro e especial. muita felicidade para você e sua família! Um grande beijo, Pri Guerreiro.

  3. Roberta • em 30 de julho 2017

    Parabéns pelo blog.
    Um dos melhores que encontrei sobre o método.
    Minha companheira está de 7 meses e estamos montando o quarto da Nina.
    Estamos reaproveitando muitas coisas (como caixotes de feira e prateleiras) e fazendo tudo sozinhas no melhor estilo Diy.
    Obrigada pelas ideias e sugestões.

    • Priscila Guerreiro • em 31 de julho 2017

      Oi Roberta! Obrigada! Que bom saber que estou ajudando de alguma forma a criar esse espaço montessoriano cheio de amor e e afeto para a Nina! Se puder, depois me conte como ficou o quartinho dela! Sejam muito felizes! Grande beijo, Pri

  4. Nayara • em 4 de agosto 2017

    Tenho acompanhado seu blog, estou montando o quarto da minha bebê e você tem me ajudado muito, parabéns e obrigada! Você está pensando em fazer um post sobre o posicionamento do espelho em um quarto montessoriano? Tô com essa dúvida aqui.

    • Priscila Guerreiro • em 5 de agosto 2017

      Oi Nayara! Que bom que você está curtindo o blog! Fico muito feliz! Já temos um post falando sobre espelhos, você viu? É esse aqui: http://www.tocalola.com.br/importancia-do-espelho-no-quarto-do-bebe/
      ” O espelho também deve acompanhar essa evolução da criança. Se for um espelho retangular, enquanto ela ainda engatinha, pode ser instalado na horizontal. Mais tarde, quando a criança começar a andar, o ideal é colocá-lo na vertical.”
      Se ainda tiver alguma dúvida, me avise! Grande beijo! Pri

  5. borvest inkral • em 1 de outubro 2017

    Hello! I just would like to give a huge thumbs up for the great info you have here on this post. I will be coming back to your blog for more soon.

  6. Ilana Nina • em 3 de outubro 2017

    Oi Priscila, tudo bem?! Gostei muito do blog e do artigo, mas fiquei com uma dúvida. A partir de quantos meses é recomendado para o bebê dormir no colchão no chão?

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